quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ensaio do Amigo - parte I

Eis uma tentativa,... pelo menos uma tentativa, mesmo que de antemão eu saiba que as cartas do jogo estejam viciadas...e nem sempre quem pensamos ser nosso amigo o seja efectivamente.
Fez ontem 5 anos que houve um que ficou surpreso com a minha reacção, não deixo de ser impulsiva, nunca reagi bem perante despedidas, mudanças, cortes, e há cinco anos, aquela doeu...
Sei que naquela altura não era sequer quase amigo, nem um ensaio, nem quase nada. Era apenas mais um enquanto eu ía passando e vivendo no meio de toda aquela multidão em que vivia.
Multidão, sim! Hoje vivo só, durante os meus dias!
Engraçado é, como mantenho aquele lado "mercenário", viver em terra de ninguém, não vivo entre os meus, do meu clube, da minha camisola...sou como um bicho raro por estas bandas. Talvez por terem passado cinco anos, esteja mais desgastada e me custe mais neste momento.
Mas também custou há 3 anos atrás, quando os amigos foram seguindo os seus percursos...
Amigos?? Bem...alguns nunca mais voltei a saber deles. Uns tenho saudades e outros nem por isso, o normal!
E nesta tentativa de ensaio, de tentativas de amigos, que vou falando a minha alma. Sei que não passa daí, tentativa de ensaio, porque como disse antes, sei que as cartas estão marcadas e o jogo viciado.
E acho que não posso - quer dizer, poder, posso sempre - ser criticada neste meu ensaio.
Vendo bem, sairam uns, mas entraram outros, é a "Lei das Compensações"; e acho que ganhei com a troca!
Se em cada ano que passa devessemos juntar um novo amigo, como mais um cromo na colecção que vamos fazendo ao longo do nosso percurso, eu poderia dizer que tenho vindo a preencher razoávelmente a minha caderneta.
Há três anos ombriei problemas de trabalho com alguém improvável, e descobri uma pessoa com o coração do tamanho do mundo, basta saber lê-la.
Há dois anos encontrei uma irmã, mais do que amiga, mais que alguns membros da familia...uma irmã que adoro! Pena que pouca gente a veja como ela merece, sobretudo os mais chegados, é sempre assim...só a verão quando a perderem! Eu espero nunca mais a perder porque levei 37 anos para a encontrar!
No ano passado, sem querer, acho que fiz mais um amigo. Este tão diferente dos outros que tenho, talvez por ser tão improvável, e no entanto...diz-me sempre que não gosta de mim...hehe...não esperava...
Vamos ver o que trás este ano, que até aora, meus amigos, só a parte do ensaio está a ser esquisita e cheia de segredos...
Vivemos a Era dos Segredos.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mentiras, mentiras!!

Quem fala verdade?
Quem fala mentira?
Em quem acredito, se é tanta a fealdade?
A quem sigo, se tudo muda, tudo se pira...

Estou gasta, farta, sem nada a perder,
Atirei a toalha ao chão mas não perdi a luta
Suspiro devagar para assim não doer
Venham todos ao plateau, até os filhos da bruta!

Deixei a plateia e estou no ringue!
Deixei de ser tão passiva
Se me querem mais proactiva...
Quem sabe amanhã já vingue.

Cansei de mentiras e mentiras, sem razão
Não me deitam assim ao chão!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A Natureza Humana

É raro escrever prosas. Quando o faço é como se pretendesse gritar para um bando de gente surda, que vive cega e fechada em si mesma. Faço-o não como um muro de lamentações, para isso tenho a poesia que tento rabiscar, mas como uma forma de purga do que mesmo calando, me incomoda.
Gosto de ver a evolução das pessoas que mudam consoante o vento...algumas são mais firmes, precisam de "pés de vento", outras de furacões...gosto de ver as mudanças em cada um que me rodeia, às vezes parece que estou a folhear um livro que vai mudando a cada novo capitulo. Uns capitulos mais longos, outros menos extensos, alguns deles muito surpreendentes.
Nisso tenho orgulho na minha biblioteca, que vai desde a Divina Comédia de Dante, até ao pasquim do Tio Patinhas que eu lia quando era miuda. É como uma coleção de cromos que vai sempre actualizando.
Noto as mudanças que o meu pai falava tanta vez: "A maior transformação alquimica de todos os tempos, transformar potaça em linhaça" ele usava sempre o segundo sentido desta frase...hoje, vejo exactamente isto.
Gosto de ver quem precisa, quem não precisa, os modos, as formas, as posturas, as importâncias, os cargos, os estados de fúria, os bons humores, os falsos amores, as formas de olhar, os tons de voz... sim, os tons de voz...porque as pessoas ainda não perceberam que suavemente conseguem mais fácilmente do que à bruta...
Não gosto de perceber necessidade, não gosto de ter de calar porque a minha resposta fere mais. Por norma calo. Por norma firo-me a mim.
Vejo pessoas que nos metem no coração apenas para desferirem mais um golpe, mesmo que nós devamos estar mais do que calejados e não esperar nada dos outros...esperamos sempre qualquer coisa do outros, quanto mais não seja gratidão, já que vivemos numa sociedade urbana e interagimos necessáriamente uns com os outros, esperamos sempre algo, que nunca é mau.
Vejo quem nos devia conhecer, diz-nos prosaícamente que nós não conseguimos, como se as suas verdades fossem inabaláveis...a esses vou dar uma novidade, até o muro de Berlim já caiu! Tudo muda! Tudo se transforma...para esses guardo o momento em que lhes direi: Venci!
Essa natureza que faz com que cada ser humano seja único e cada vez mais assoberbado, mais cheio de falta de tempo...ocupado, quanto mais não seja, consigo mesmo; não ter tempo é desculpa, há sempre tempo desde que se queira. Há casos em que por vezes o querer apenas não é suficiente, mas isso, são outros envolvimentos, um dia falarei deles...
É esta natureza que passa de um servilismo confuso a uma atitude de altivez, no espaço de pouco tempo, tento nunca desmerecer ninguém, provávelmente faço mal, mas sei que serve para descansar melhor quando deito a cabeça no travesseiro...quando consigo dormir...
Não costumo escrever em prosa, mesmo alguma ideias pessoais tento passá-las em versos e baladas para ninguém. Talvez por isso neste momento eu ache que me estou a esticar e não digo nada de jeito...não faz mal...tal como a poesia que escrevo, esta prosa também não é dirigida a ninguém...talvez apenas um paliativo da minha acidez...talvez um gesto na escuridão...o meu alerta: Eu estou atenta!
Aceito a Natureza de cada um e as suas modificações.
Aceitem as minhas, que há tantos que já não me reconhecem!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Entre o ser e as coisas

Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.

As almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.

N´água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungido,
uma fogueira a arder no dia findo.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Nunca mais aprendo!!

Quantas vezes mo pergunto,
Outras tantas nem respondo,
Por deste belo conjunto,
Que me desanima, por expectativa,
Eu fujo prá toca em que me escondo...

Como te percebo, como te entendo,
Como detesto estas feiras de vaidades,
De gente que aos poucos me vai tolhendo,
Me castra, abandona e faz desistir,
Me faz sentir presa entre grades!

Já nem tento sequer pensar...
Não aprendo por mais que me esforçe,
E deixo tudo, e a caravana vai passar,
Do que eles gostam mesmo é de enfeites...
E não aprendo porque sou das que parte, não torce!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Adoro esta, adivinhem qual é, se conseguirem... :)

(...)
Each morning I get up I die a little
Can barely stand on my feet
Take a look at the mirror and cry
Lord what are you doing to me
I have spent all my years believing you
But I just can't get no relief, Lord!
(...)
I work hard every day of my life
I work till I ache my bones
At the end I take home my hard earned pay all on my own
I get down on my knees
And I start to pray
Till the tears run down from my eyes
Lord (...)
(...)
Everyday, I try and I try and I try
But everybody wants to put me down
They say I'm going crazy
They say I got a lot of water in my brain
Got no common sense
I got nobody left to believe
(...)
Got no feel, I got no rhythm
I just keep losing my beat
I'm ok, I'm allright
Ain't gonna face no defeat
I just gotta get out of this prison cell
Someday I'm gonna be free, Lord!
(...)

sábado, 22 de novembro de 2008

Resultado de um pesadelo

Já tentei...
Já falhei...
Já pensei em repetir...
Para quê?
Para deleite, para gozo, para armar o inimigo?
Estou cansada desta guerra
Da qual me escondo desesperada
Que me acorda fria pela madrugada...
Pensei em dizer...sim...
Pensei melhor... e não dizer...
Para quê?
Acho engraçado a mudança do guião
Aquela que pode ser verdadeira
Consoante quem faça dela a sua cadeira
Para mim serve apenas de prisão.
Tentei e falhei, pois sim!
Pensei em repetir, mas não!
Para quê?
Se afinal fico impressionada
Sem entender o meu ar desesperada
Sem fazer barulho, grito sufocado,
Quase não respiro e lembro-me que acordei!
Afinal, foi apenas um sonho.
Onde nem tentei e já assumo que falhei.
Deverei repetir?
Porque não?